A partir de hoje, este blog está ressuscitado. Mais de um ano se passou desde o último post e de lá pra cá muita coisa aconteceu, o que significa que teremos muitos assuntos a tratar.
Neste meio tempo criei outros blogs e os deixei de lado com a mesma cara de pau de sempre. Decidi voltar a este porque foi o único que consegui, durante algum tempo pelo menos, manter uma certa regularidade.
Nada mais a acrescentar por enquanto. Este primeiro dia será de edição, revisitarei os posts antigos e sairei corrigindo textos como um louco, tirando defeitos aqui e ali. Como me conheço, vou mudar bastante coisa.
Amanhã, se tudo der certo, voltamos à ativa!
Desçam outras que assunto não falta!
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Está vivoooo
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Flávio Faria
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Marcadores: Volta Marco
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Os assaltos
Apesar de viver em São Paulo, cidade com um dos índices de criminalidade mais altos do Brasil, nunca tive uma arma apontada para a minha cabeça, e os poucos assaltos que sofri foram provavelmente uma completa perda de tempo para os ladrões.
Antigo morador do bairro de São Mateus - conhecido como um dos mais violentos da cidade - com cara de vitima por vocação (baixinho, gordinho, branquinho e com cara de tonto), eu convivi desde pequeno com o perigo iminente de sofrer um assalto. Porém, poucas vezes isso aconteceu, três, para ser mais exato.
Na primeira delas, eu voltava da padaria em um domingo à tarde. Tinha pedido dinheiro ao meu pai para comprar sorvete para mim e para os meus primos e na volta da padaria fui abordado por dois rapazes de 18 anos, que me abraçaram e vieram perguntando “Sabe onde mora o Manuel?” “Não sei”, respondi com um pouco de receio. “Não sabe onde mora o Manuel?” “Não, sério ‘veio’”, respondi, em uma parca tentativa de parecer mais malandro do que a minha aparência frágil e infanto-obesa sugeria. Antes da terminar de perguntar a terceira vez onde era a casa do Manuel, um deles me encostou na parede e falou “CADE O DINHEIRO?” Quase cagando nas calças eu respondi que tinha acabado de gastar na padaria compando os sorvetes. Para não sair de mãos abanando, acabaram levando dois Chicabons e até o meu Galak meio chupado.
Pelo menos, quando cheguei em casa meu pai deu mais dinheiro para comprar outros sorvetes, e foi comigo para evitar que a cena ridícula voltasse a acontecer.
Somente anos depois eu voltaria a ser abordado. Com cerca de 13 anos e pouca experiência com ônibus, acabei passando o ponto do shopping para o qual me encaminhava, afim de encontrar meu pai. Desci em uma parte mais escura, margeando um terreno baldio, margeando um muro alto, há mais ou menos 200 metros do shopping. No meio do caminho avistei dois homens, ambos aparentando entre 25 e trinta anos e razoavelmente bem vestidos (uma vez que estavam perto do shopping Aricanduva e ninguém por ali está mais bem vestido que “razoavelmente”). Por algum motivo pressenti que ia dar merda, então coloquei a touca da minha jaqueta na cabeça afim de parecer mais malandro e continuei caminhando. Mais uma vez traído pela minha forma obesa e baixinha, fui abordado pela dupla. “É um assalto!”, falaram e eu levantei o braço, achando que essa era uma resposta-padrão para a frase. “Abaixa o braço, ta louco?” Eu abaixei. “Cadê o celular?” Eu não tinha. “Cadê o relógio?” Eu não gostava de usar (aliás, não uso até hoje). “Dá a carteira!” Eu dei. Ele abriu, fuçou, revirou e então percebeu que eu não tinha um centavo. Só tinha pegado um passe de ônibus em casa para me encontrar com meu pai, ele iria pagar o Mcdonald´s” Para não dizer que saíram sem nada, os meliantes conseguiram subtrair cerca de 70 centavos do bolsinho de moedas da carteira, e me devolveram a carteira velha e rasgada, que eu praticamente peguei do lixo quando meu pai comprou uma nova pra ele.
A última e mais patética de todas aconteceu um dia durante a volta da escola. Tinha acabado de ganhar um boné novo do meu pai, da “Da Hui”, marca de Surf que era “da hora” na época. Descendo a rua que dava acesso à minha casa, passei por um grupo de adolescentes. Comecei a andar mais rápido, mas não muito, para não dar na cara que eu estava com medo. Eles começaram a andar mais rápido ainda e me abordaram. “Eae mano, da hora essa bombeta hein?”. Já com medo daquela conversa respondi “É, né?”. Em um surto de ironia ele perguntou. “Quer trocar pelo meu?” O objeto da troca em questão era um boné amarelo, daqueles de espuma, escrito “COVAS GOVERNADOR”. Óbvio que eu não queria trocar, e em um rompante de coragem falei “Não cara, valeu, esse aqui foi presente do meu pai, se eu trocar ele embaça”. Eis que o desgraçado fala ‘Ta bom, se não quer trocar, eu fico com os dois” e tirou o boné da minha cabeça.
Desci minha rua me sentindo humilhado por ter perdido o boné, um fraco por não ter oferecido o mínimo de resistência
E um burro, por não ter aceitado o boné do Covas.
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Flávio Faria
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Sonho de jornalista
Em uma conversa de redação, conta o editor...
_Sonhei essa noite que estava em uma casa de praia e tive informações de que ratos enormes estavam rondando o local.
_Mas você chegou a vê-los?
_Não, só tive informações!
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Flávio Faria
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
A tatuagem
_Nossa, o que é essa sua tatuagem?
_Um Xamã!
_Ahn?
_Os Xamãs são lideres espirituais e médicos de algumas tribos originadas na Sibéria, ele é responsável por curar os doentes e por conduzir os rituais, onde entra em transe para invocar os espíritos da natureza para ajudar a superar as dificuldades da tribo.
_Hum... Que legal! Então é tipo um índio?
_É um índio, mas é o sacerdote, líder espiritual.
_Entendi, legal!
Outro dia, outra pessoa.
_ E essa tatuagem ae? É um dragão?
_Não...rs... É um Xamã.
_Que isso?
_Ah, é o líder espiritual e médico de algumas tribos, cura os doentes, dá conselhos e tal...
_Ah, da hora, é um índio então.
_É sim!
_Da hora!
Alguns dias depois, outra:
_Orra, bem louca essa tatoo hein?
_Opa, valeu!
_O que é?
_Um índio!
_Ah, legal!
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Flávio Faria
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Até agora a pouco
Em pouco mais de um ano e dois meses de vida - exatos 436 dias - este blog teve 50 posts, recebeu 2180 visitações (uma média de cinco por dia), 67 comentários e passou por duas mudanças de layout.
E, até agora a pouco, Não-lineares continuava escrito errado no subtítulo.
Haja!
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Flávio Faria
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1:25 PM
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Poupasaco
O texto abaixo deve ter sido o maior que eu já escrevi para esse blog, mas é proporcional à minha indignação com relação a esse sistema imbecil que rege o Poupatempo Sé. Ouvi dizer que outros Poupatempos, em outras cidades, funcionam bem, provavelmente devido à menor demanda. Isso de maneira nenhuma exime a responsabilidade da administração do posto da Sé, o primeiro a ser construido, o maior, e com certeza um dos mais mal administrados do sistema. No meu caso, só pude buscar a CNH no outro dia, por conta do atraso no meu trabalho. Se pretendesse esperar, teria que ter passado mais de nove horas sentado ou andando que nem barata tonta de um lado para o outro, com certeza bem menos que os três dias que demoravam para se tirar um RG antigamente, mas ainda assim bastante tempo, muito mais do que o prometido no site.
Espero que na minha próxima renovação, já tenham pensado no Poupasaco, que atenderá àqueles que não têm paciência para serem feitos de otário no Poupatempo.
Ou isso ou eu desisto de dirigir.
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Flávio Faria
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Poupa Tempo!
Em São Paulo, criaram um orgão público chamado “Poupatempo”, tudo junto mesmo, que consiste em um local onde pode-se tirar (ou renovar) documentos de todo tipo com rapidez - segundo o site da instituição, uma renovação de CNH demora cerca de quatro horas para ficar pronta - e conforto. Se baseando nessa premissa, você acorda às sete da manhã, para chegar cedo, ser liberado cedo e seguir para o seu trabalho com o minimo de atraso possível.
Quando pega o ônibus, já começa a se arrepender, antes de terminar a sua rua, já tem gente saindo pelas janelas, de tão lotado. Como você só descerá no ponto final, se espreme em um canto onde não atrapalha a passagem e deixa o coletivo seguir seu rumo. 40 minutos depois chega ao metrô e o caos já se mostra desde a catraca. No terceiro trem você embarca, se espreme no meio do corredor e espera pela chegada da estação Brás, o clímax. Nessa estação, nesse horário, rumo ao centro, uma manada de pessoas tenta entrar ao mesmo tempo no trem, atropelando umas as outras e amassando todas as que estiverem no caminho. Incrivelmente, algumas delas conseguem inclusive feder, mesmo sendo apenas oito da manhã. Quando chega à estação Sé, você nem se mexe, pois a manada que entrou no Brás, agora quer descer, e você apenas deixa a maré te levar. Saindo da estação, você segue pelos túneis e sai próximo ao Poupatempo, quando um rapaz te aborda e começa a perguntar de tudo, temendo um assalto você dá cinco passos velozes na direção oposta e olha para trás, ele sem entender nada pergunta se é para renovar a CNH, você responde que sim, ele pergunta se tem foto, você não tem, e ele pede que você o siga até um cara com uma máquina digital de 5MP e impressora, que mal deixa você se sentar, tira sua foto de qualquer jeito, imprime, corta, cobra 12 reais e te entrega uma dúzia de fotos mal-feitas. Saindo de lá cocê até sente saudades da época em que japonesinhas simpáticas tiravam suas fotos 3x4 na “ótica”, arrumavam seus cabelos, vinham levantar seu queixo e brigavam quando você sorria, para no final a foto ficar uma merda e você agradecer do mesmo jeito, só pela preocupação dela.
Depois de tirada a foto, o mesmo rapaz que te aliciou em frente ao Poupatempo pergunta se você já tem exame médico, diz que se deixar para fazer lá vai demorar muito mais. Convencido, você segue para o local que ele indicou. Dois lances de escada depois, chega ao “Consultório”, com uma moça e uma menina digitando freneticamente. Antes que você possa dizer alguma coisa ela dispara: “Carteira vencida, RG e comprovante de endereço”. Você responde que não tem mais RG e pergunta se a sua CNH vencida pode servir como documento de identificação. “Não”, ela responde e fala que você não vai conseguir renovar sem o RG. Meio de saco cheio pela fala de educação dela, você responde que não importa e que vai tentar do mesmo jeito, entrega os documentos, ela começa a digitar e a gritar todas as informações, como se você estivesse do outro lado da rua, para que você confirme, pede que você coloque o dedo três vezes no aparelho de captação de impressões digitais “Aperta, solta, aperta, solta, aperta, solta”, manda que você preencha o questionário da ficha e espere na fila para ser atendido pela médica. Seu nome não será anunciado como em um consultório comum, então tem que prestar atenção ma pessoa que estiver à sua frente durante a “chamada oral” da moça do computador para entrar no consultório logo após a saída dela. Ao entrar, uma mulher de 50 e poucos anos pega a sua ficha e pergunta se você usa óculos, você responde que não, e ela manda que você leia o que está escrito dentro do aparelho ao lado dela. Na maior cara-de-pau do mundo você chuta o que está escrito, pois não lê nada e ela volta a perguntar pelos óculos, você diz que nunca usou. Mais uma vez ela pede que você tente ler, mais um insucesso. Então ela manda que você vá ao oftalmologista urgentemente, pois desacredita que você consiga ler legendas no cinema, pois está quase cego. Porém, coloca “apto” no seu resultado e você pode seguir em frente.
Chegando ao Poupatempo, você já vê uma enorme fila formada, mas fica sabendo que é para tirar RG. Ainda se perguntando porque tanta gente resolveu tirar RG no mesmo dia, você procura o Detran, que fica na parte de trás do prédio, ou “Praça Azul”.Lá existem duas filas, uma média e outra imensa. Como já era de se prever, a sua é a imensa, com cerca de 50 pessoas na sua frente. Um rapaz com crachá do Detran passa por cada um da fila e confere os documentos. 10 minutos depois de ter entrado na fila, ele chega em você, diz que está faltando seu RG. Você pergunta se não tem problema dar entrada sem ter o RG, usando a CNH como documento de identificação. “Problema nenhum”, ele responde. Antes de poder comemorar sua vitória sobre a idiota do consultório, ele te diz que faltam as xerox da CNH e do comprovante de endereço. Se sentindo um perfeito idiota, você sai da fila, da “Praça Azul”, dá a volta no prédio e chega ao guichê das Xerox, onde uma fila média já está formada. Na rua, você pagaria 10 centavos em uma cópia, lá são 40. “Sem problemas”, você pensa, “são só R$ 1,20”, espera cerca de 15 minutos, tira as Xerox, dá a volta no prédio e volta ao fim da fila do Detran. 10 minutos depois, o mesmo rapaz pede para checar seus documentos, e mais uma vez diz que falta o RG. Achando que é algum tipo de gozação você dá um sorriso e diz que ele já te deu essa informação, mas que tinha dito que poderia usar sua habilitação vencida como documento de identificação. “Ah, sem problemas”, ele responde, de novo. Ainda meio atordoado com a cena bizarra que acabara de se passar, o jeito é aguardar que os dois guichês atendam as 40 pessoas à sua frente.
Como em toda fila, sempre existem os pequenos desentendimentos entre aqueles que estão com pressa demais e os que estão com pressa de menos. São sempre discussões idiotas, pois ambos vão ter e esperar do mesmo jeito. Nesse dia em especial, os apressados eram uma moça de uns 40 anos acompanhada de um pós-adolescente-possivelmente-homosexual, e os com pressa de menos eram dois jovens namorados que provavelmente sairiam dali para a academia, ou para um episódio de Malhação, sei lá... Enfim, o fato é que uma vez que a fila anda, o casal de namorados continua no lugar, trocando caricias e beijinhos. Somente depois de um bom espaço aberto entre eles e a pessoa da frente que eles percebem, para então percorrerem o caminho e voltarem a se abraçar. Até aí, nada de irregular, até que eles repetem o ciclo pela terceira vez. Na quarta vez que a fila abre um espaço não percorrido pelos pombinhos, o pós-adolescente-possivelmente-homosexual (que a partir de agora chamarei de PAPH) grita, assustando todo mundo “AAAAAAAAAAAAAAANNNNDAAAAAAA MINHA FILHAAAAAAAAAA” (aos homosexuais que lerem, me desculpem, mas alguns de vocês tem maneiras pouco discretas de mostrar sua indignação). Metade do pessoal da fila começa a rir, a moça de 40 anos dá algumas risadinhas discretas e um tapinha no braço do PAPH, que se sente encorajado pela platéia e começa a bradar em alto e bom som coisas como “AI, EU FICO REVOLTADO COM GENTE SEM NOÇÃO”. Só para contrariar, ou mais desatento do que nunca, o casal deixa a fila andar mais uma vez, dessa vez um bom pedaço. Irritado pela afronta, o PAPH vai passando pelas pessoas da fila pisando duro, de encontro ao casal, dá um cutucão no ombro do rapaz (que deve ter cerca de 1,95 e passar 10 horas por dia na academia) e fala “OLHA, NÃO SEI SE VOCÊS VIRAM, MAS A FILA ANDOU”. Pronto, era o que faltava. Revoltada, a namorada do rapaz manda o PAPH se foder e disse que ele era muito folgado, “Quem é você pra vir me cutucar” e começaram a discutir. Dois minutos depois, o bombado finalmente consegue processar a informação de que alguém estava discutindo com a sua namorada e não diz nada, só dá uma encarada tão feia para o PAPH que qualquer mortal na faixa dos 1,70 de altura e com algum juízo cagaria nas calças. Sem demonstrar medo, o PAPH faz uma caretinha engraçada de desprezo para o burtamontes, resmunga algo como “Humpf” e faz o caminho de volta para o seu lugar.
Divertido pela cena que acabou de presenciar, você aguarda que as outras cinco pessoas à sua frente entreguem os documentos no guichê e quando chega a sua vez, surpresa: A fila era apenas para conferência de documentos (!!!!), coisa que um dos funcionários já fizera duas vezes antes durante a fila. Achando o procedimento ridículo, você entrega os documentos para a moça do guichê, que diz que está faltando o RG. Pela quarta vez no dia você diz a alguém que não tem o RG e pergunta novamente se poderia usar a CNH antiga como habilitação, ao que ela responde “Tudo bem”. Porra, se está tudo bem não ter, por que eles exigem? Checados os documentos, ela te entrega uma senha, uma folha onde constam os documentos que você entregou, e te manda para o lado de fora da Praça Azul, para esperar.
Saindo da Praça Azul você encontra um lugar grande, cheio de bancos de madeira, lotado de gente. Se acomoda em um canto e fica esperando os números da sua sequência aparerem (lá os números são divididos entre letras, tipo B5052, C130, H457 e por aí vai...), o seu era o B6584. Passam números com C, com H, com D...todas as letras possíveis. menos a B. Já descrente que vá aparecer, você decide sair de lá, mas quando está prestes a levantar, aparece B6512 na tela, incríveis 72 números na sua frente. Calculando rapidamente o tempo decorrido entre você entrar na sala e aparecer um número com a sequência B, multiplicado pelas 72 vezes que esse ciclo deveria se repetir, você deduz que só conseguirá renovar sua CNH quando os carros voarem e todos precisassem de Brevê, e ela for inútil.
São mais de 11 horas da manhã e finalmente seu número aparece no visor. Você até considera a possibilidade de emoldurar aquela senha e colocar no seu quarto, para sempre se lembrar de como foi corajoso em aguentar aquela tortura, mas infelizmente é obrigado a entregá-la à moça da mesa. Uma vez sentado você entrega os documentos, ela pega a folha que a moça do guichê entregou, onde constam os documentos entregues e começa a fazer pequenos riscos de “checado” na frente. Mais uma vez alguém está conferindo os documentos, coisa que já fizeram três vezes. Dessa vez, antes que ela fale alguma coisa e você seja obrigado a socar a cara dela, você se adianta “Olha, eu não tenho RG, posso usar a CNH como documento de identificação?”, ao que ela obviamente responde: “Tudo bem”. Depois de conferir (de novo) o quê você entregou, ela te devolve os documentos junto a uma guia a ser paga no banco do próprio Poupatempo.
Lá chegando você percebe que a fila está imensa e pergunta a uma atendente se qualquer agência da “Nossa Caixa” aceita o pagamento, pois seria muito mais rápido andar da Praça da Sé até a Rua XV de Novembro e pagar na agência da “Nossa Caixa” que tem lá, quase sempre vazia. Ela responde que não, que aquela é a única agência que aceita pagamento das guias do Poupatempo. Achando uma idiotice sem tamanho você se dirige à fila... Mas é impedido de entrar nela. Para poder pegar a fila do Banco, você deve contornar o prédio, sair do Poupatempo e aguardar na rampa do lado de fora, onde serão distribuídas senhas para a fila. Lá, a fila para a senha que dará acesso à fila do banco está enorme e você se posiciona no último lugar. Cinco minutos depois, vê um rapaz, uns seis lugares atrás de você comentando com todo mundo da fila sobre a demora, fazendo piadas e chamando a atenção. Mais cinco minutos e uma moça passa entregando as senhas que darão acesso à fila do banco. Quando ela termina de entregar os papeizinhos, o funcionário da ponta solta o povo da fila e o que se vê é uma corrida desenfreada para a fila do banco, o que é uma babaquice, pois todos estão com senha. Depois de entrar no Poupatempo, contornar mais uma vez o prédio e chegar à fila do banco, você entrega o papel à funcionária e entra na fila. Até aí tudo bem, o grande problema é quando você olha para frente, uns 10 lugares, e vê o cara que estava cinco atrás de você na hora de pegar a senha. Nesse caso, três possibilidades são válidas: 1 - Você é um idiota, 2 - A funcionária da Nossa Caixa é uma anta que não sabe reconhecer números por ordem de grandeza ou 3 - Todo o sistema de senhas é uma grande imbecilidade. Antes que chegue ao meio do caminho você percebe que é a somatória das três, pois tem gente brigando na fila com gente que furou o lugar e a anta da funcionária está deixando qualquer um entrar na fila, mesmo sem ter saído para pegar senha. Decidido a acabar logo com aquilo, você segue calado e meia hora depois consegue pagar a guia.
12:30, Com a guia paga e todos os documentos conferidos quatro vezes você se dirige ao guichê final, onde entrega tudo, a moça confere tudo (!!!), pega sua CNH antiga, carimba, te devolve suas xerox (se não precisava, pra que eu gastei R$ 1,20?), escreve algo nela e te devolve.
É o horário para retorno, 16:30. Dentro de quatro horas estará pronto, assim como prometido no site!
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Flávio Faria
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Noite do prazer
Li em uma matéria da Folha de S. Paulo que homens mais ricos dão mais prazer às mulheres na cama. Levando em consideração todos os trâmites burocráticos que permeiam uma relação sexual casual, a informação não me parece nenhuma novidade.
A menos que o mancebo namore, e por esse motivo tenha um acesso menos restrito ao pote de ouro, conseguir uma boa noite de suadouro é uma tarefa desumana. Supondo que sua lista de contatos habituais conte com cerca de 300 pessoas, metade delas do sexo feminino - que no meu caso é o que procuro, preferências dos (as) leitores (as) à parte -, você terá cerca de 150 opções de passar uma boa noite no Motel. Matemática básica. Dessas 150, 80 provavelmente namoram e são relativamente fieis, 40 estarão incomunicáveis e 20 você já não conversa há algum tempo, o que anula a maioria das chances de conseguir uma resposta positiva para qualquer programa que exceda o cinema-McDonalds-beijos-no-portão.
Sobraram dez possíveis companhias, e é aqui que a conta bancária faz a diferença, pois o prazer de uma mulher começa a ser medido no momento em que ela entra no carro. Se você não tem carro, pode cancelar pelo menos oito dos contatos restantes de cara, e feche a agenda, pois as outras duas provavelmente já arranjaram outro pobre do qual irão se lamentar no outro dia. Se tiver um automóvel (ou conseguir um emprestado), pode ter certeza que possívelmente arrumará uma companhia e que você já subiu na “escala de prazer”, deixando a companheira da noite um pouco excitada. Porém, a intensidade da excitação corresponde proporcionalmente à qualidade do carro. Um Fusca corresponde a uma carícia, apareça de Mercedes e ela terá o primeiro orgasmo da noite. A partir daí, você precisará de dinheiro, e não só para o dormitório com hidro, pois essa é a parte mais fácil e – acredite – menos custosa do certame.
Para conseguir terminar essa noite bem, precisará de pelo menos fazer uma parada em um bar ou restaurante, para jogar algumas horas de conversa fora e não deixar a impressão de ser um cachorro no cio prestes a se agarrar à perna da moça, embora talvez não esteja longe disso, e quanto maior a fatura do cartão no restaurante (ou bar), mais você subirá na “escala de prazer” da noite, seguindo outra lógica quase matemática: McDonald´s a deixará apenas alimentada, um jantar romântico a deixará ainda mais a fim e uma churrascaria te deixará fora de combate.
Por fim, escolha a dedo o local onde passar a noite. Para dar o maior prazer possível à sua escolhida, o local deve contar pelo menos com uma cama gigantesca, piscina com escorregador e teto que se abra para que o casal possa apreciar as estrelas. Seguindo por esse caminho, o prazer da sua parceira será garantido.
Porém, com uma Mercedes, um belo jantar na churrascaria, um banho com piscina com direito a escorregador e dormir podendo olhar as estrelas, provavelmente você nem ligaria por passar uma noite sem sexo.
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Flávio Faria
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6:28 AM
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Quem gosta de buteco...
Sabe quando a cerveja está no ponto;
prefere copo de vidro;
Conhece pelo menos cinco marcas de cachaça;
conhece o dono e os garçons do bar que costuma freqüentar;
arranha alguns acordes caso algum violão esteja à mão;
Sabe conversar por horas com alguém sem perguntar o nome;
Sempre esquece alguma coisa na mesa;
E sempre ama a mulher errada, afinal, precisa de motivo para beber....
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Flávio Faria
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domingo, 30 de novembro de 2008
Dois registros
Mais uma vez você está naquela situação: No banheiro, pelado dentro do box, encarando um par de registros que brotam da parede e pensa “de novo...”. Hoje em dia até para tomar banho existe técnica. Como se não bastasse a dificuldade que você já passa no dia-a-dia para gravar nomes no celular, programar o rádio-relógio e ajustar a hora no microondas, a modernidade faz questão de te trazer chuveiros com dois registros, ou “ducha”, na linguagem dos mais frescos.
Agora elas estão em todo lugar, desde motéis vagabundos de beira de estrada, até casas de milhões de reais em Alphaville, menos, é claro, na sua casa. No banheiro do seu apartamento de 70m² localizado na Zona Leste de São Paulo, o chuveiro tem apenas um registro e é dificílimo acertar o ponto ideal de abertura para um banho agradável. Se abrir meia volta do registro, a água já estará gelada; tem que abrir só um “cabelo”, a água vai ficar “pelando”. Para se tomar banho em um chuveiro assim, é necessário habilidade, uma vez que acertado o ponto ideal de temperatura, ele o mantém apenas por alguns minutos, para logo em seguida desligar e gelar de uma hora para a outra a água que cai nas suas costas. Para não dizer que não rola um aviso, ele deixa de fazer barulho, e esse é o momento em que você tem que saltar pra frente para sair do caminho da água, tentando não desequilibrar no chão molhado e se esborrachar. Porém, depois de anos de treino, os três ou quatro “saltos de desvio” por banho se tornam automáticos e você já nem se preocupa com esse detalhe. A ducha, porém, é um sistema diferente, e nem sempre padrão no que diz respeito ao acionamento. Na teoria, é sabido que uma das torneiras liberará a água quente e a outra a água fria e que a somatória das duas tornará o seu banho morno e agradável, mas ali na hora, qual escolher? Não adianta invocar qualquer conhecimento prévio em outras duchas, pois se na casa da sua avó a da esquerda é a quente, no motel da esquina pode ser a da direita. Tal qual uma “Porta da esperança” dos infernos, qualquer uma das opções irá te foder, e não adianta querer abrir as duas ao mesmo tempo, será impossível, pois você nasceu destro e não tem a mesma habilidade motora com a mão esquerda, que tem com a direita, além da óbvia posição que você ficaria ao tentar abrir os dois registros de uma só vez: Com as costas exatamente na direção da água, à mercê de qualquer falha técnica do sistema. Assim sendo, só lhe resta duas opções: Escolher um dos dois registros ou ir fedendo ao trabalho. Como a segunda opção é inviável, só lhe resta confiar nos seus instintos e esperar pelo melhor.
Com isso em mente, você escolhe abrir a fria primeiro, melhor aguentar alguns segundos de água gelada do que ver o couro das costas descer pelo ralo com a água fervente. O próximo passo é descobrir qual das duas é a torneira fria. Você olha fixamente para as duas, tentando achar algum sinal que denuncie qual é qual. Sinais “F” e “Q”, pontinhos azuis ou vermelhos no centro, enfim, qualquer coisa que lhe avise qual torneira é a que você quer abrir. Não há nada. Você então segura cada um dos registros em uma das mãos e tenta sentir a temperatura, imaginando que o registro da água quente estará (claro) mais quente. Nada!
Já atrasado para o trabalho você decide arriscar, fica o mais longe possível da direção da água, estica o braço em direção ao registro da direita e vira de uma vez e...
Nada acontece, tinham tirado a ducha, instalado um chuveiro e o outro registro que era o certo...
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Flávio Faria
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
Inversão de Valores
20 – 10
10 – 20
Isso é que é uma completa inversão de valores, o resto a gente atura….
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Flávio Faria
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Não serve pra nada!
Todo dia ele passava por aquela lavanderia de roupas à seco. Sempre achou que aquilo não servia para nada, tanto que dizia para si mesmo e para os outros: “Isso não serve para nada”. Dentro de um supermercado, que raios faria uma lavanderia? Ele mesmo, nem ninguém que ele jamais conhecera, nunca levou cuecas sujas para dentro de um supermercado. Na sua concepção, mercados eram feitos para se adquirir coisas, não lavar as que estavam sujas. Roupa suja se lava em casa, isso era no que acreditava!
Porém, só o fato de aquele estabelecimento existir já era um incômodo. Como se não bastasse não servir para nada, ainda era mal localizado, pior até do que a revistaria de nome “News” (outro estabelecimento incômodo, pelo nome). Ficava ao lado dos caixas eletrônicos, de frente para uma parede, que não era bem uma parede, era meio madeirite, saca?
Um dia, de long neck em punho ele procurava uma solução. Era cerveja argentina, sem tampa-rolha, daquelas que a gente gira e tira, e rasga a camiseta. Essa tinha que ser com abridor.
Decidido a resolver o problema com a cerveja e o dilema da utilidade da lavanderia, para lá se dirigiu. Entrou, deu boa tarde e perguntou à morena que o recebeu com um sorriso: “Tem abridor?”. Estática a moça tenta absorver a pergunta, mastiga, não engole e torna: “Abridor?”. “É”, responde ele e levanta a garrafa à altura dos olhos da atendente. Visivelmente travada ela responde com o melhor sorriso que consegue inventar para uma pergunta como aquela “Não, desculpe”. Indignado ele nem responde, se vira, sai pisando duro e repetindo:
Eu sabia!
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Flávio Faria
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sábado, 8 de novembro de 2008
Paranóia
O que fala de você para o companheiro, aquele homem sentado na calçada, sujo e com o rosto queimado de sol? Que teve mais sorte que ele na vida, que devia agradecer por onde dorme, pelo que come e pelo que veste? Ri da sua falta de liberdade? pelo seu trabalho em horário comercial e contas a pagar? O que fala de você aquele cara com quem você estudou na 3ª série, que cruza seu caminho? Que foi uma grande amizade, que vai marcar uma cervejada com a velha turma, ou que apenas viu um rosto familiar na rua?
E aquela menina que te paquerava no serviço, diria para a nova estagiária que você agora está mais bonito, que é alguém de sucesso, que ama o que faz? Talvez diga que deveria ter continuado na antiga faculdade, no antigo emprego, com as velhas amizades e velhos valores...
O que fala de você para o garçom, o dono do boteco que você freqüenta? Que é um amigo que passou por lá para tomar uma cerveja, papear e comentar os últimos lances do último clássico no Pacaembú? Que é um bom cliente, que não tinha 50 reais na carteira para honrar as doses de uísque que tomou e pendurou na caderneta para acertar amanhã?
Em uma balada na Vila Olímpia, o que dizem sobre você os amigos da sua menina, quando descobrem que você anda de ônibus, que usa tênis barato e que está com dinheiro contado para a noite? Que era um cara gente boa, engraçado e que esperam que apareça mais vezes, ou de que buraco uma menina tão bonita tirou um traste como este? E quanto àquela moça em roupas mínimas e maquiagem pesada, que circula por uma esquina do centro, contando os minutos para voltar para vida real? Diria para moça da outra esquina que você foi mais um cliente a se deitar na sua cama e se embebedar da sua luxúria ou que foi alguém especial, que ela quer conhecer melhor?
O que fala de você para as amigas, aquela menina que te sorri quando não precisa, que se fecha quando indagada e que te beija inesperadamente?
Provavelmente nada, você que anda paranóico...
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Flávio Faria
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008
O fim
Naquele momento, os dois sabiam que não teria outra vez, mas estavam tranqüilos. Ela deu aquele sorriso de meio-lábio, quase um pedido de desculpas, mas não chegou a dizer. Ele apenas devolveu o gesto, coçou a cabeça (como sempre faz quando está nervoso) e deu um gole no conhaque, que de algum modo descia mais fácil do que aquela situação.
Não importa quem fez o quê, quem deu o primeiro passo ou o último olhar. Depois daquela noite não haveria mais nada, não que antes houvesse, mas aqueles momentos eram decisivos. Dali para frente eles seriam outros, com muitos outros e outras, em outros tempos e locais, mas entre si, nunca mais.
Na hora da despedida, os dois se abraçaram e ele pensou em pedir um beijo, mas desistiu...
Às vezes é melhor deixar as coisas como estão.
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Flávio Faria
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domingo, 2 de novembro de 2008
copiado
Tenho dois blogs, como a maioria deve saber....
Esse trata de absolutamente nada e outro que trata da F1, minha grande paixão.
Dessa vez, fiquei em dúvida sobre onde postar esse comentário, pois era pessoal demais para ser colocado no F1-09, e segmentado demais para por aqui. Decidi postar nos dois.
Ainda estou triste pelo campeonato, e mais triste ainda de saber que só vou ter alguma emoção em Março do ano que vem....
Mas enfim, F1 é assim, e amor não se escolhe.
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Flávio Faria
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1:18 PM
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Emoção
Sempre estranhei quando meus amigos se emocionavam com futebol. Na verdade, nada nesse jogo nunca me pareceu muito correto. 20 caras correndo atrás de uma bola e mais dois tentando protegê-las para que não entrem em um espaço de poucos metros demarcado por tubos de metal sempre foi esquisito sob a minha ótica. Quando o Corinthians caiu para a Série B, um dos meus amigos passou mal fisicamente e tempos depois eu chamei aquilo de viadagem.
Todo mundo que me conhece pelo menos um pouco, sabe que eu sou apaixonado por F1. Durante treinos classificatórios e corridas eu sempre grito e xingo conforme a situação se desenrola, mas todas as emoções nunca passaram do momento do lance.
Talvez para mostrar que não estou livre desse tipo de sofrimento, Deus fez com que Felipe Massa, piloto da Ferrari, chegasse à ultima corrida do campeonato com 7 pontos a menos do que Lewis Hamilton, da Mclaren, na disputa pelo campeonato mundial. Para ser campeão, Massa precisava terminar em primeiro e Hamilton em sexto, qualquer posição acima para o piloto da Mclaren, daria o título...
Nos treinos classificatórios. Massa fez a pole position, iria fazer o papel dele e largar na frente. Hamilton largaria em quarto, posição boa pra ele para conquistar o campeonato.
Minutos antes de começar, começa a chover em Interlagos e as equipes correm para trocar os pneus da galera.
Às 15:10 começa a corrida, com algumas trocas de posições e abandonos. Por alguns momentos, Massa é o campeão virtual do mundo (virtual porquê não tinha acabado ainda), Hamilton em sexto. Passo mal a primeira vez.
Hamilton consegue a quinta colocação, que lhe daria o título e a partir desse momento eu achei que estava tudo terminado.....Ficaria feliz com a vitória do Felipe em casa e já era....Mas tiveram as últimas voltas....
Voltou a chover, Massa estava em primeiro, com pneus intermediários, o que significa que somente um erro bobo ou falha de motor o tirariam da corrida. Faltando 3 voltas para o final, Sebastian Vettel começa a atacar Hamilton pela quinta posição. Desde que ele começou que eu vou com a cara desse alemão, e nunca torci tanto por uma ultrapassagem. Vettel passa Hamilton e só precisa ficar uma volta na frente para Massa ganhar o campeonato. Nesse ponto, minhas mãos tremiam e eu estava em pé, segurando na estante da TV, rezando para o Vettel não cagar.
Última volta, meus olhos já cheios de lágrimas vêem o Felipe ultrapassar a linha de chegada, com tema da vitória e tudo. A câmera corta para o Hamilton, que vai na fúria pra cima do Vettel, querendo o título. Grito para o alemão defender a posição e depois do misto do circuito realmente acredito que o título vai para Felipe.
Cerca de 30 segundos depois, a câmera mostra os boxes com a família do Felipe comemorando e eu gritando em frente à TV sem saber o que aconteceu....
Quando olho na classificação na tela, vejo que Hamilton conseguiu ultrapassar Timo Glock, da Toyota, chegando em quinto lugar e garantindo para si o título. Apesar de já saber que era uma coisa com mais de 90% de chances de acontecer, quando vi o Vettel passando, achei que viria um título inédito para o Brasil e que o Hamilton amargaria por mais um ano.... Quando cortou para a câmera no carro do Felipe, vi que ele chorava, e chorei junto....Minha irmã ligou em casa e ficou preocupada, pois eu falava com a voz embargada, simplesmente não acreditava em um final de campeonato como esse...
Claro, Hamilton mereceu e levou, mas como um brasileiro, eu esperava que desse zebra e Massa fosse campeão. O grande problema, foi que até 500m da linha de chegada, Massa era campeão, mas infelizmente os pneus de Glock não aguentavam segurar a posição....
São coisas do automobilismo, mas que é triste, é....
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Flávio Faria
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Apaguei
Apaguei o último post...
Estava criando polêmica demais!
E Deus sabe como eu gosto de tranquilidade...
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Flávio Faria
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6:40 AM
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Condimentos
Assim como a maioria dos homens de vinte e poucos anos, minhas habilidades na cozinha são praticamente nulas. Quando estou sozinho em casa recorro a pães, hambúrgueres, frios ou o que tiver na geladeira que seja fácil demais de fazer e que não me dê a chance de me matar ou destruir a cozinha da minha casa. Lembro-me do dia em que liguei para a minha irmã e, depois de uma hora de explicações e de anotar um passo-a-passo, finalmente me habilitei a fritar um saco de batatas semi-prontas. Tudo bem que ficaram borrachudas, salgadas demais e encharcadas de óleo. Contudo, a falta de parcimônia com o sal se resolveu com baldes de Coca-Cola e o problema de consistência do alimento (com excesso de combustível vegetal impregnado) acredito que sejam percalços que todo grande Chef enfrenta nos primeiros passos de suas carreiras.
Além de não saber preparar, ainda me destaco por ser um tremendo retardado na hora de comer. Tudo que estiver no meu prato e envolva molhos e condimentos acabará invariavelmente na minha roupa. Quando acontece em casa, tudo bem, só trocar a camiseta e a vida segue, o grande problema é quando acontece na rua. Ontem, depois de tomar algumas cervejas na Vesga, eu e um amigo de redação decidimos comer um X-salada para fazer um fundo no estômago e de lá seguir para o Studio SP, na Augusta.
Chegamos a um Boteco em frente ao Studio, pedimos um X-salada (muito bom por sinal), e como sempre eu enchi as duas metades do sanduíche com Ketchup e mostarda. Depois de terminado o lanche, pedimos mais um X-egg e dividimos. Novamente eu coloquei litros de condimentos. Quando me levantei para ir ao banheiro, notei que minha camisa (até aquele momento azul) estava com respingos em vermelho e amarelo. Já prevendo que teria que passar o resto da noite com aquela camisa, dando pala de gordo retardado, tratei de tentar minimizar o estrago, tendo como ferramentas apenas a torneira do sanitário do boteco e minhas nulas habilidades em remoção de manchas. Uma vez dentro do sanitário, tratei de avaliar o estrago: três manchas pequenas na parte inferior direita da camisa (perto dos botões), duas delas amarelas em pequeno volume e relevo e outra vermelha, um pouco maior e mais densa (tomate é foda). Depois da avaliação, comecei o trabalho de restauração em si. Teoricamente, uma camiseta molhada só depende do advento do tempo para que volte a apresentar o aspecto de limpa depois de seca, ao passo que uma camiseta manchada de Ketchup e mostarda aparentará estar cada vez mais suja à medida que for secando. Isto posto, minha próxima ação era óbvia: Lavar a camiseta. Claro que não poderia lavar a camisa inteira debaixo da torneira, pois não teria como me explicar ao pessoal do bar o porquê de ter saído molhado de dentro do sanitário, além de fornecer uma piada pronta para o meu amigo (que já se divertiu bastante somente com o fato de eu ter me sujado). Desse modo, abri a camisa, estiquei a parte manchada com uma mão, e com a outra mão em concha, armazenei uma pequena quantidade de água, que fui soltando aos poucos sobre a área manchada. Depois de adicionar o solvente universal, segurei as duas pontas da parte manchada e friccionei uma na outra, com a intenção de fazer com que as partículas dos molhos agarradas às fibras da camisa se soltassem. Primeira grande cagada! Além de não tirar a mancha, ainda fiz com que os três respingos se fundissem em um só mosaico amarelo, vermelho e molhado. Depois de xingar a camisa, o X-salada e principalmente minha idéia idiota, voltei à mesa para o jubilo do meu amigo, que ria e me chamava de idiota. Pedimos outra cerveja e eu fiquei olhando para aquela mancha, pensando em algo que poderia ser feito para que ela simplesmente sumisse. Dois copos depois, me ocorreu a grande idéia: friccionar novamente a área manchada, porém não mais a mancha nela mesma, mas contra a minha mão. Segunda grande cagada! Por conta do calor e dos dois lanches, minhas mãos não estavam um exemplo de pureza. Aparentemente limpas a olho nú, elas se encontravam ligeiramente suadas por conta do calor e meio molhadas pelo contato com o copo de cerveja. A união desses fatores fez com que a área manchada ficasse totalmente escurecida. Mais uma vez xinguei a camisa, o X-salada e minha ótima idéia.
Naquele momento, minha fé na remoção da mancha estava totalmente abalada e já conseguia vislumbrar a minha noite de gordo trapalhão, quando uma luz no fim do túnel me salvou:
Meu amigo passou mal com o X-salada e não quis mais entrar no Studio.
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Flávio Faria
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11:26 AM
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
14/10/2008
Nada aconteceu...
... O mundo continua chato pra caralho!
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Flávio Faria
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1:12 PM
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
CTRL + Z
Na maioria dos programas de computador, o recurso CTRL + Z ( control Z) serve para "desfazer" eventuais cagadas. Reescreveu um parágrafo inteiro e achou que o anterior estava melhor? CTRL + Z; Foi editar uma imagem, mas de repente viu que não ficou como você queria? CTRL + Z, e ela volta a ficar como era antes. Enfim, no cotidiano de quem trabalha com textos, imagens, som, vídeo ou qualquer coisa que envolva edição, é normal usar esse comando várias vezes por dia. O mesmo poderia ser utilizado nas atitudes do dia-a-dia, o que faria de todos nós pessoas mais felizes, principalmente o Bill Gates, que ficaria muito mais rico do que já é. Levando em consideração somente a minha vida, e sem precisar pensar demais, consigo enumerar dezenas de situações onde seria melhor ter dado um CTRL + Z.
A maioria dos dias que chego em casa da balada, muitas vezes entre 6 e 8 da manhã (e bêbado), tenho a estúpida e recorrente ideia de fazer um misto-quente, encher um copo com Coca-cola e assistir qualquer coisa que estiver passando na TV. Como é de se esperar, esse tipo de procedimento quando realizado em um horário em que o barulho vindo da rua é quase nulo, e levando em conta que normalmente posso contar com apenas 10% das minhas habilidades mentais e motoras (sendo otimista), as perspectivas de que uma bosta aconteça são enormes. Apenas para exemplificar: Uma das vezes, minha irmã me contou que comecei a dar broncas na fôrma de gelo, que por muitas vezes caiu da minha mão, fazendo um barulho inacreditável, ao que eu apenas repreendia "Fica quietooo truta, pelamordedeus!!!". Segundo ela, a cena se repetiu pelo menos três vezes antes que eu conseguisse colocar o gelo no copo.
Mesmo quando não derrubo nada, ainda consigo acordar a casa inteira. Como um bom bêbado, normalmente nesses momentos a minha noção de força e delicadeza estão sempre bem prejudicados, o que faz com que eu bata a porta do microondas, da geladeira, derrube panelas no escorredor para pegar um prato que está debaixo de tudo (enquanto só precisaria esticar o braço para o armário) ou abra e bata a porta do forno do fogão para ver se tem algo que sobrou do jantar.
Se para fazer um lanche eu sou um desastre, comendo não me saio melhor, já tendo acordado com a boca suja de molho sem nem lembrar que comi metade de uma travessa de macarrão, ou da vez em que fiz meu lanche, peguei o copo de coca e me sentei no sofá, para acordar no outro dia com a TV ligada e com metade do pão repousando sobre minha barriga.
Esse tipo de evento é sempre causado pelo consumo abusivo do alcool, coisa que dez entre dez pessoas nessa situação enfrentam. O problema é fazer merda sóbrio, coisa que eu também sou campeão. Já perdi as contas de quantas vezes fiz piadas na hora errada e só perceber isso quando todos meus amigos ficaram sem graça. Cansei de dar "Bumbadas na pausa" ( dizer a coisa errada na hora imprópria), como quando uma mina que eu conheci me falou que conhecia o Sarney e eu emendei "Que azar hein? Logo aquele ladrão filho da puta? Está mal de amizades!!!" sem saber que o velho filho da puta era tio dela. Uma vez comentei com a menina da locadora que os donos do lugar deveriam ser mais atentos, pois estavam faltando muitos lançamentos, e a maioria dos filmes eram velhos demais...Para depois descobrir que a locadora era dela e do irmão. Já fiz cartas de amor e mandei, para me arrepender logo depois de apertar "Enviar", procurando em todas as opções do E-mail um modo de fazer com que aquilo não cheguasse. Claro que não deu certo, as mensagens chegaram e eu fiz papel de imbecil, como sempre.
Para não dizer que é coisa do passado, enquanto escrevia esse texto eu disse por msn para uma amiga que o dia que dei em cima dela eu estava bêbado e que normalmente não faria isso. Embora a intenção fosse dizer que a considero como uma grande amiga, e que não teria o ímpeto de agarrá-la do nada, mais uma vez soou errado e eu fiquei com cara de pastel.
Se não dá para por CTRL + Z na realidade, que pensem nisso para as próximas versões do Messenger.
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Flávio Faria
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7:09 PM
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